Desenvolvimento na Rua dos Pinheiros

A Rua dos Pinheiros passa por uma intensa transformação urbana, impulsionada por mudanças no zoneamento e novos empreendimentos de alto padrão, que redefinem o perfil da região.

Kallas Incorporações e Construções
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Conhecida pela grande variedade de restaurantes, a Rua dos Pinheiros é uma rua paralela à Avenida Rebouças e vai da Avenida Faria Lima/Largo da Batata até a Avenida Brasil. Além da boêmia e da gastronomia, a Rua dos Pinheiros está se transformando.

Com a ascensão dos escritórios boutiques e a revisão do plano diretor, que teve um tópico exclusivo dedicado à Avenida Rebouças, o logradouro está recebendo diversos empreendimentos corporativos de alto padrão.

A mudança já é perceptível nos primeiros metros da rua. Saindo do Largo da Batata é possível visualizar dois estandes de empreendimentos residenciais, o QG Faria Lima e o Oliie 117, focados em público de alto padrão e renda, tais edifícios refletem o futuro da Rua dos Pinheiros.

Historicamente, os maiores prédios da rua eram residenciais, mas com políticas públicas tudo mudou, um dos reflexos disso é o imponente prédio espelhado, localizado na esquina com a Avenida Faria Lima, o Edifício Roberto Bratke, o primeiro empreendimento classe A da rua. Ele abrigava a seguradora SulAmérica, mas hoje ele se encontra vazio.

Outro vetor de mudança foi a chegada da linha amarela, próximo ao metrô Fradique Coutinho, o Biosquare São Paulo será o segundo empreendimento de alto padrão. O edifício integrará o fundo KNRI11 e tem previsão de entrega para 2026, além disso ele será de realização da G.D8 Incorporadora e construído pela Libercon. Ele será o maior edifício corporativo da rua, com 31 mil m² de área privativa e 39 mil m² de BOMA distribuídos em 18 andares corporativos.

Os imponentes projetos, como o Bioarq, um hotel da STX e dois residenciais já estão confirmados e estão mudando toda a percepção da região, que antes abrigava prédios pequenos de três andares.

O empreendimento mais recente entregue é o P-11 Pinheiros, um ativo classe B da Stan e do Grupo Kallas. Entregue em 2023, o empreendimento possui 4 mil m² e uma taxa de ocupação de 29%.

Para Gil Vasconcelos, diretora de incorporação do Grupo Kallas, a alteração da lei de zoneamento impulsionou a mudança da região. Ela conta que quando essas situações acontecem, novas regras de zoneamento, os próprios proprietários já buscam fazer negócios.

“Por exemplo, a esquina da rua dos Pinheiros com a Faria Lima, havia um predinho antigo, a gente comprou, derrubamos e estamos fazendo um outro empreendimento, o QG Faria Lima. Então, a tendência é os incorporadores comprarem e fazer projetos novos, mais completos, com a infraestrutura total. A legislação, hoje, permite adensar um pouco, mas também você faz produtos de qualidade”, conta.

A Rua dos Pinheiros integra a região SiiLA de Pinheiros, que possui um estoque de 475 mil m² e uma taxa de ocupação de 48,6%. Além da Avenida Rebouças, que vem recebendo diversos desenvolvimentos imobiliários, a rua se beneficia por sua localização, tendo as estações Fradique Coutinho e Faria Lima em sua extensão.

O sentimento na região é misto. Com as roupas sujas de graxa, um chaveiro tenta arrumar o miolo de um sistema quase arcaico de tranca enquanto reclama sobre a crescente onda de empreendimentos na rua. “É uma tristeza, esses prédios estão em todos os lugares, eu não gosto! Eu não gosto!”, exclama sem querer se identificar.

Em frente à pequena porta que abriga o chaveiro está sendo desenvolvido um empreendimento residencial. Esse contraste entre o novo e o antigo é visto por toda extensão, entre bares, restaurantes e pequenas casas, os canteiros de obras se erguem a cada quadra.

Na esquina com a rua Cunha Gago, um terreno, que anteriormente abrigava um estacionamento e uma distribuidora de água, deu lugar a tratores e terra batida. Do outro lado da rua, onde havia um bar e restaurante, um cabeleireiro e uma pequena corretora de seguros, também deram lugar a uma obra, até então desconhecida.

Para Jair Martins, proprietário do Arte Fogão e Cia, uma assistência técnica que funciona a 15 anos no mesmo local, tudo isso é inevitável e faz parte do desenvolvimento da cidade.

“Eu acho inevitável que isso aconteça, eu não sou contra esse processo. Isso está mudando o perfil do bairro, o que pode ser mal para mim, é bom para os outros. O que vem acontecendo são pessoas fazendo abaixo assinado para tombar imóveis e impedir essa renovação. Alguns imóveis são sujos e velhos, e parados, do jeito que estão, não vai trazer benefício para ninguém”, conta o empreendedor.

Martins conta que o bairro é de alto padrão e que a especulação imobiliária da região está fazendo com que muitos empresários saiam da região, pois os aluguéis estão ficando “insustentáveis”. De fato, ao decorrer da Rua dos Pinheiros é possível ver estabelecimentos tradicionais, muitas vezes com uma aparência suburbana, com placas de aluga-se ou de venda.

Enquanto empreendimentos “instagramáveis”, como restaurantes e bares, sobrevivem e se beneficiam da especulação imobiliária, negócios familiares como o Arte Fogão e Cia, o chaveiro e pequenos comércios de perfil bairrista, tendem a sucumbir às pressões do progresso.

“Esse prédio será de alto padrão e terá comércios focados ao público mais alto”, foi assim que uma corretora de um dos empreendimentos que está sendo construído definiu como serão os comércios que integrarão a fachada ativa do imóvel, sem saber, talvez ela tenha feito um presságio agridoce para o futuro da Rua dos Pinheiros.